Eu vi: Robocop

Quando José Padilha foi anunciado como o diretor do reboot de Robocop, um ícone da cultura pop dos anos noventa, confesso que fiquei bastante empolgada. A possibilidade do brasileiro fazer bonito em Hollywood me encheu de ansiedade. O tempo passou, as primeiras fotos caíram na rede e as inevitáveis reclamações sobre as mudanças vieram em enxurrada. Continuei confiante.

Há duas semanas o filme foi lançado nos Estados Unidos, dividindo a opinião da crítica. Nesta sexta ocorreu a estreia no Brasil e finalmente pude ver se me encontrava no lado daqueles que gostaram da película ou se acompanhava o grupo insatisfeito com o trabalho de Padilha. Posso resumir minha opinião numa única frase.

Robocop é um baita filme.

Mas vocês não querem saber apenas isso, querem? Então, vamos recomeçar. Primeiro, se você é fanboy do filme de Paul Verhoeven e não suporta nenhuma mudança, fique em casa, alugue o DVD do Robocop de 1987 e seja feliz. Mas, se está com a mente aberta e não vai reclamar que a armadura de Murphy agora é preta, então vá ao cinema sem pensar duas vezes. Garanto que não irá se arrepender

José Padilha conseguiu atualizar Robocop com maestria. A sátira política do original foi substituída por críticas sociais importantes, como a política de guerra americana, a manipulação da mídia e a falta de escrúpulos das grandes corporações. E embora as mudanças tenham sido várias, a história de Alex Murphy continua lá. Um policial corajoso e honesto que foi transformado em ciborgue  pela empresa Omnicorp.

O roteiro foi bem construído, conseguindo dosar bem o dilema de Murphy em se ver como uma máquina com o restante da trama. Sofremos com as mudanças de Alex e com suas dúvidas. Será que ainda é humano ou o lado mecânico venceu? Há uma cena extremamente angustiante que exemplifica muito bem essa reflexão. E quando Alex diz: “Não restou nada”, nos perguntamos se ele tem razão ou não.

A direção de Padilha é segura, relembrando a câmera tremida conhecida em Tropa de Elite 1 e 2. Os efeitos especiais não se destacam, mas também não comprometem. Gostei muito da armadura recauchutada do novo Robocop, em nenhum momento a mudança de cor me incomodou (na verdade, ela é bem explicada no filme) e acredito que a essência do traje antigo foi respeitada. Há diversas menções à obra original, frases de efeito e bordões conhecidos que foram bem encaixados. Quando determinado personagem falou “I’d buy that for a dollar”, um sorrisinho satisfeito surgiu em meus lábios.

Quero dar destaque aqui aos trechos em que Samuel L Jackson aparece. Para mim, foram os momentos mais geniais do filme e foi inevitável a comparação que fiz do personagem de Jackson aos jornalistas sensacionalistas que estamos acostumados a ver na TV (Datena, cof, cof). Uma ótima crítica e que rendeu um final sensacional à película, quase tão impactante quanto o sobrevoo do Planalto em Tropa de Elite 2.

No fim, como os pessimistas temiam, o novo Robocop é um filme bem diferente daquele dirigido por Verhoeven em 1987. O que ninguém esperava é que isso fosse dar tão certo. Assistam.

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Persona 4 Golden: Um JRPG que você precisa conhecer!

Persona, ou Shin Megami Tensei como é conhecida no Japão, é uma série de JRPG muito famosa. Como fã do gênero, sempre tive curiosidade de conhecer a franquia. Então, quando vi que Persona 4 Golden sairia para o PS Vita, um remake do elogiadíssimo Persona 4 original do PS2, decidi comprar o game e verificar se todo o hype sobre ele era de fato merecido.

A história principal se foca numa série de assassinatos misteriosos que deixa em polvorosa a pequena cidade de Inaba, onde normalmente nada acontece. O protagonista chega ao local para passar uma temporada com o tio, já que seus pais enfrentam problemas conjugais, e se vê no meio daquela confusão enquanto tem que se adaptar à realidade de uma nova escola e novos amigos.

As primeiras horas de jogo são maçantes. O jogo explica sua mecânica bem devagar, além de introduzir o jogador à trama e aos personagens chaves. Fiquei um pouco chateada com a lentidão inicial e quase desisti de continuar o game. Por sorte não fiz isso, pois a partir do momento em que o protagonista e seus amigos viajam para o mundo bizarro dentro da TV e a jogabilidade de combate é apresentada, tudo muda em Persona 4.

Diferente dos outros JRPGs, Persona é um misto de simulador de relacionamentos com RPG. Há as conhecidas dungeons, onde o jogador pode upar sua equipe e encontrar itens e armas poderosas, mas também há todo uma mecânica única em que as conversas com NPCs e o dia-a-dia do protagonista na escola e na cidade se tornam muito importantes. Você vai procurar empregos de meio período, atividades extracurriculares, ligar para paixonites da escola e ajudar velhinhas necessitadas, tudo isso em meio a uma investigação de assassinato. Achei a ideia do link afetivo, no qual você cria laços sentimentais mais fortes com os membros da sua party, uma ideia genial. Isso torna suas Personas mais fortes e também faz com que novas habilidades sejam desbloqueadas. Em nenhum momento, conversar e descobrir o passado dos outros personagens se torna chato, na verdade esse foi um fator que me surpreendeu bastante, pois praticamente todas as tramas paralelas são instigantes. Há momentos emocionantes, hilários de fazer gargalhar alto e também assustadores. Tudo na medida certa para prender o jogador na história.

O combate dá seu show próprio. Apesar de manter os rounds tradicionais que estou acostumada a ver em outros jogos do gênero, ele traz adições interessantes como a troca de Personas (apresentadas como cartas, cada Persona tem uma afinidade e proporciona ao jogador inúmeras habilidades e novos poderes), os combos com outros membros da party (dependendo do grau de afinidade que você tem com cada um) e o elemento estratégico, onde é preciso primeiro descobrir a fraqueza do inimigo para usar a magia ou golpe mais eficaz. As lutas são divertidas e nos níveis altos se tornam bem desafiadoras.

A apresentação de Persona 4 Golden é linda. Joguei no PS Vita, então os gráficos estão muito melhores do que no PS2 e cenas extras foram adicionadas ao remake. A direção de arte é cheia de estilo e se valeu de cores vibrantes para retratar o mundo dos jovens de Inaba, muito bem sacado. As cinematics no estilo anime dão um charme a mais e a trilha é cativante. Algumas músicas ficaram na minha cabeça por dias e não conseguia parar de cantá-las.

Um jogo único, diferente de todos os JRPGs que joguei antes. É viciante tanto no quesito combate como no desenrolar da história. Cada jogador vai ter seu personagem preferido, seja a agitada Chie ou o esquentado Kanji. E a escolha de relacionamentos e romances pode ser completamente diferente se você decidir zerar o game outra vez. Essa variedade só faz com que o jogo seja ainda mais atrativo.

Fiquei feliz em comprovar que o hype em torno da série Persona é muito merecido. Persona 4 Golden me conquistou tanto que me esforcei para conseguir a melhor zerada (há pelo menos 5 finais diferentes) e me deixou muito interessada em acompanhar o anime que reconta a história do jogo. Personagens carismáticos, história bem desenvolvida e mecânicas inteligentes. Vale a pena conferir. Já conto os dias para que novidades sobre o próximo jogo, Persona 5 (exclusivo para PS3), sejam anunciadas.