Loreena Mckennitt: Welcome to the Journey

A cantora canadense Loreena Mckennitt chegou ao Brasil pela primeira vez para um turnê de 4 apresentações nas cidades de Porto Alegre, São Paulo e Rio de Janeiro. Como fã incondicional, eu não podia perder essa oportunidade de ver uma das artistas que mais admiro tocar e cantar ao vivo. E o dia 27 de novembro foi mais especial do que eu poderia imaginar.

Como já era esperado, Loreena é magnífica. Tanto ela quanto seus músicos presentearam a plateia do teatro Sesi com um show impecável. Por muitas vezes, senti como se estivesse ouvindo ao CD, tamanha a perfeição com que ela cantava. A escolha das músicas então não poderia ter sido mais acertada. Loreena cantou seus maiores sucessos, dando aos fãs a oportunidade de ouvir as músicas favoritas de perto. The Old Ways, Dante’s Prayer e Marco Polo foram algumas das faixas que mais me emocionaram.

Ouvir a música de Loreena é como uma jornada para outro mundo, outra época. E foi assim que me senti naquelas duas horas de show. Durante a escrita de Contos de Meigan o CD The Book of Secrets foi uma grande inspiração, então quase me senti atravessando um portal para Meigan e encontrando os magis e personagens que povoam minha imaginação.

Mas foi ao final do show que a melhor surpresa da noite me aguardava. Acabei tendo a oportunidade de trocar algumas palavras com a Loreena e de tirar uma foto. Confesso que quase não consegui falar e que tremi muito. Nunca imaginava que a veria de tão perto, que poderia dizer o quanto gosto da sua música.  Acho que a foto abaixo fala por si quanto à minha felicidade. Um show imperdível e inesquecível com toda a certeza.

loreena

Eu vi: Gravidade

Alfoson Cuarón é extremamente talentoso e imaginativo. Desde o ótimo Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban, impressionou-me com sua capacidade de dar identidade única a projetos hollywoodianos. A parti dali, passei a esperar por suas obras com crescente curiosidade e expectativa. No seu filme seguinte, o espetacular Filhos da Esperança, só provou que figurava mesmo entre os principais diretores atuais.

Passaram-se sete anos desde seu último filme, mas o retorno não poderia ser melhor. Gravidade, que estreou sexta passada nos cinemas brasileiros, é um belíssimo exame da pequenez humana diante de universo, da solidão e também da força que nos leva a seguir em frente e lutar.

A trama é relativamente simples. Depois de um acidente que destruiu a estação espacial, a astronauta novata Ryan Stone (Sandra Bullock numa grande atuação) fica isolada na órbita da Terra e vai ter que encontrar uma forma de retornar em segurança ao planeta. Ajudando-a, está o seu companheiro Matt Kowalski (George Clooney), já experiente em viagens espaciais.

O primor técnico é o primeiro aspecto que se destaca na película. Logo nos minutos iniciais, temos um plano sequência impressionante dos astronautas trabalhando na estação. Esse tipo de técnica é marca registrada do diretor e, durante o restante da projeção, há várias outas cenas aparentemente sem cortes que enchem o espectador de assombro e admiração.

Gravidade foi um dos filmes em 3D que mais me agradou. A imersão é total e em vários momentos me senti no vácuo do espaço, vagando sem direção junto com a Dra. Stone. A técnica só contribuiu para aumentar a tensão e em certos momentos, confesso, fiquei sem fôlego com o que via. Destaco aqui a destruição silenciosa da estação internacional. A ausência de explosões e sons fez com que o peso daquela ruína se tornasse ainda mais opressor.

A cena final do filme é emblemática para mim, poética e cheia de significados simbólicos. Enquanto os créditos começavam a aparecer ainda sentia os efeitos da tensão acumulada durante os 90 minutos de projeção. Ainda tenho dificuldades em encontrar palavras para descrever Gravidade. Primoroso, angustiante, emocionante… O que não titubeio em dizer é que este, com certeza, é um dos melhores filmes deste ano.