Hayao Miyazaki: Uma lenda da animação.

Hayao Miyazaki é um gênio da animação japonesa. Sua criatividade e inventividade visual, o jeito único de contar histórias e as personagens bem desenvolvidas marcaram a carreira de mais de 50 anos deste grande diretor. Suas obras têm reconhecimento internacional e já ganharam vários prêmios, incluindo o Oscar de melhor animação de 2003.

Seus filmes abordam temas como pacifismo e o meio ambiente, contam com protagonistas femininas fortes e, frequentemente, não apresentam vilões. O bem e o mal estão juntos, orbitando o mesmo ambiente sem cair em estereótipos de herói versus um antagonista claro. Isso é uma das características que mais me agrada em seus roteiros.

O primeiro contato que tive com as obras de Miyazaki foi com o espetacular A Viagem de Chihiro. Gostei tanto que vi duas vezes no cinema. Viajei junto com a garotinha Chihiro para aquele mundo fantástico e me encantei com a sensibilidade única do diretor, seus quadros primorosos, os detalhes mínimos que tornam cada cena uma aula de como fazer animação. Lembro que uma das cenas mais marcante para mim foi a viagem de trem que Chihiro faz com alguns companheiros. O visual, a trilha sonora, aqueles trilhos no meio de tanta água… A sensação de deslumbramento não pôde ser evitada.

Cada animação do japonês tem seus pontos fortes. Totoro é um lembrete que crianças devem ser crianças e imaginar, criar e brincar, apesar de todas as dificuldades. Nausicaä tem aquele discurso pró-meio ambiente que é recorrente nas histórias de Hayao e também serve de alerta para o que estamos fazendo com nosso mundo. Aqui vale falar um pouco sobre o mangá de Nausicaä. Desenhado pelo mestre, ele é tão bom quanto a animação, valendo pelos detalhes a mais que ganhamos. Princesa Mononoke, um dos meus favoritos, também aborda questões ecológicas, narrando uma batalha entre o mundo espiritual e os humanos que exploram a floresta para alimentar suas indústrias.

O filme mais recente de Miyazaki, e talvez seu último, foi The Wind Rises. Lançado em 20 de julho de 2013, é mencionado pela crítica como um dos filmes mais adultos do diretor e que aborda uma das paixões dele. Aviões. Nem preciso dizer que já estou louca para assistir.

Contando com um talento único para contar histórias que emocionam e também fazem o espectador refletir, Miyazaki é indispensável para os amantes de desenhos animados. Numa época em que as animações em 3D dominam o mercado, é bom saber que o 2D tradicional continua muito bem representado e encantador. Espero que as novas gerações, agora que o mestre anunciou sua aposentadoria, consigam continuar com este belo legado.

 

Anúncios

20 anos de Arquivo X: A verdade continua lá fora

Arquivo X foi uma das séries mais inovadoras dos anos noventa. Estreando no ano de 93 ela trouxe um frescor à TV americana e atraiu uma verdadeira legião de fãs, até virar um fenômeno estrondoso. Com mais de 200 episódios e dois longas metragens, fica evidente o tamanho da importância desse seriado, que até hoje ainda influencia outros shows, desde Lost até Fringe.

Meu caso de amor com Arquivo X começou um tanto tardio, já que em 93 eu tinha apenas 8 anos. Só fui me ligar na série quando esta já estava na sua sexta temporada, ou seja, na minha adolescência. No entanto, a paixão foi quase imediata. Passei a acompanhar todos os episódios que saíam pela Fox e também via aqueles que passavam na TV aberta, se não me engano na Record. Foi um tanto difícil me inteirar de todas as conspirações e mitologias, afinal perdi cinco temporadas, mas o fascínio pelos casos que Mulder e Scully investigavam (e também pelo relacionamento dos personagens) crescia a cada quarta-feira.

Depois de alugar quase todas as VHS disponíveis na minha cidade (sim, na época não haviam coletâneas de DVDs e a internet engatinhava), consegui assistir quase todos os episódios das temporadas anteriores (minhas favoritas são a terceira  e a quarta). Nessa época também passei a ir aos eventos (grande Estação Genesis!), a conversar com outros fãs, conhecer novas teorias e comprar livros sobre a série (para falar a verdade, qualquer produto sobre a série). Já podia me considerar uma excer de verdade! 😉

Arquivo X teve uma grande significado na minha vida. Conheci pessoas importantes graças ao seriado, tive meus dias de fã xiita surtada (e vamos combinar que eram dias divertidos) e também iniciei minha caminhada na escrita. As fanfics sobre Mulder e Scully foram minhas primeiras tentativas de escrever histórias e, sem dúvida, ajudaram muito no meu aprendizado. Por tudo isso, os 20 anos da série têm aquele gostinho especial para mim. Bate uma saudade forte, aquela vontade louca de ver mais sobre meus agentes do FBI favoritos. Enfim, os anos podem passar, mas eu ainda vou acreditar que a verdade está lá fora.

HQ: EU MATO GIGANTES

 

Ontem, terminei de reler a premiada HQ de Joe Kelly e JM Ken Niimura, Eu Mato Gigantes. Fiquei feliz em perceber que ela continuava tão boa e emocionante quanto eu me lembrava.

Quando descobri que essa história seria lançada no Brasil meu primeiro pensamento foi: preciso comprar essa HQ! Havia lido fazia um bom tempo, mas lembrava da ótima qualidade do roteiro e da arte. A edição nacional não desaponta e tem um bom acabamento, páginas com papel de boa qualidade e ótima impressão. Se fosse capa dura seria perfeita!

Eu Mato Gigantes conta a história de uma garota chamada Bárbara. Ela é super inteligente, tem uma personalidade problemática e está cada vez mais envolvida em suas fantasias. Com poucos amigos, ela se perde em seu mundo imaginário, que lembra muito as aventuras de um RPG, e tenta escapar da dura realidade que a cerca. Enquanto isso, as pessoas ao seu redor lutam para fazê-la enxergar e enfrentar seus problemas de frente.

Num primeiro momento, podemos pensar que a história de Bárbara é repleta de elementos fantásticos, mas ela não podia ser mais real. Qualquer um poderia passar pelos percalços que essa garotinha está passando, por isso a identificação é quase imediata.

A arte de Niimura, num estilo que lembra o mangá, encaixa-se muito bem na proposta da HQ, exaltando os elementos imaginários que cercam a protagonista em sua fuga da realidade. O texto de Joe Kelly é rápido e inteligente, prendendo o leitor e fazendo-o virar as páginas com curiosidade, na busca das respostas que expliquem por que Bárbara age daquele jeito tão inusitado.

Eu Mato Gigantes fala primordialmente sobre uma adolescente que tem de lidar com o bullying, os poucos amigos e também a perda de um familiar querido.  Ao final, é difícil não se emocionar com os acontecimentos que cercam a garota. É uma história que faz pensar acima de tudo sobre a aceitação da morte e nos ensina a valorizar a vida e cada momento que compartilhamos com aqueles que amamos. Leiam, pois não há como se arrepender.

Bienal do Rio 2013

Imagem

A Bienal do Rio chegou ao fim. Depois de uma ótima experiência em São Paulo, no ano passado, eu tinha altas expectativas para o evento no Rio de Janeiro. E não me decepcionei. O estande Letra Impressa/Era Eclipse, onde fiquei, estava lindo demais e contava com a presença de ótimos autores, como o Marcelo Paschoalin, a Eleonor Hertzog e a Bianca Carvalho. Compartilhar o espaço com eles foi muito divertido e agradável.

Para minha alegria, Contos de Meigan foi muito bem recebido pelos leitores cariocas. É muito recompensador ver o interesse sobre o livro crescer cada vez mais, prova de que o trabalho feito vem dando resultado. Recebi visitas de fãs do mundo Meigan que queriam seus exemplares autografados e ouvi muitas perguntas sobre o livro dois (espero ter novidades boas em breve!). No último sábado de Bienal, a tiragem que levei ao estande esgotou e sai de lá com a sensação de dever cumprido.

 Imagem

O evento foi de muito trabalho com certeza, mas também marcado por encontros e reencontros. Pude, enfim, conhecer pessoalmente escritores que já admirava muito, como a Giulia Moon, o Walter Tierno, a Barbara Morais, o Felipe Castilho, a Ana Cristina Rodrigues e a Laura Conrado. Revi amigos queridos, como a Georgette Silen e a Simone Mateus, da Giz Editorial, a Gleice Couto, do blog Murmúrios Pessoais, o Marcelo Amaral, autor dos ótimos livros Palladinum e A Máquina Anti-bullying, e a Tatiana Jiménez, do blog Leitora Viciada, que me deu um bonequinho lindo do Batman. Nem tenho como citar todas as pessoas queridas que vi por lá, mas cada uma deixou sua marca especial. Adorei vê-las!

 Imagem

É claro que também fiz minhas comprinhas. Muitos livros de autores nacionais e também HQs aos montes ahahah. Pela foto abaixo vocês podem ver que a pilha de novas aquisições ficou alta. =p

 Imagem

Voltei para casa muito contente com a Bienal desse ano e já sentindo saudades. O Rio é uma cidade linda e já quero retornar!

Imagem