Eu vi: Pacific Rim

Pacific Rim é uma declaração de amor aos monstros. Guillermo Del Toro nunca escondeu seu fascínio por tais criaturas, afirmando que elas o acompanharam na infância e até hoje fazem parte da sua vida. Fã confesso de filmes de Kaiju (palavra japonesa que significa criatura estranha), ele moldou a película como uma forma de expressar essa paixão de tantos anos e, com isso, também fazer brotar nos espectadores tal maravilhamento. Nesse quesito, saiu-se muito.

No meu caso, também tive uma infância e adolescência embalada por robôs gigantes e monstros de borracha. Jaspion, Ultraman, Evangelion, Gundam e outros shows eram favoritos. Por isso, desde a primeira vez que ouvi falar do projeto de Del Toro, minha expectativa foi para as alturas. Será que finalmente eu veria um embate colossal em toda a sua glória? Os primeiros dez minutos de filme já me mostraram que sim. Confesso que, assistindo às explicações do que acontecera ao mundo, de como a humanidade construiu jaegers para se defender do apocalipse, e dos monstros que passavam por fendas dimensionais, senti que meus desenhos favoritos ganhavam vida e fui tomada por arrepios.

Nem tudo são flores, porém. Com a evolução da película as primeiras falhas começam a aparecer, principalmente no roteiro. Você já viu essa história em outras grande produções. Protagonista traumatizado que volta à ativa e se vê obrigado a enfrentar seus medos. Os personagens são em sua maioria unidimensionais e confesso que senti grande antipatia por Raleigh (Charlie Hunnam). Acredito que em termos de desenvolvimento, o filme iria ser bem melhor se focasse em Mako Mori (Rinko Kikuchi), a garota tem um potencial nato e prende nossa atenção, roubando todas as cenas em que aparece. Infelizmente, mesmo sendo a parceira do protagonista, senti que seu tempo de tela é limitado. Queria ver mais dela, queria que tomasse a frente em diversas situações. O núcleo cômico foi um achado, apesar de eu considerar que o filme teve piadas em excesso. Charlie Day, Burn Gorman e Ron Perlman estão ótimos, protagonizando cenas hilárias.

Mas é claro que o foco de um filme desses é o embate entre os monstros e os robôs. E nisto, amigos, não há muito o que se criticar. Cada luta é mais incrível que outra. Você sente o peso das criaturas, o tamanho da destruição. Efeitos especiais incríveis, talvez os melhores que já vi. Só gostaria de ver menos chuvas, sei que a escuridão e a água servem para mascarar defeitos, mas acho que o filme merecia uma luta em terra firme e com o sol a pino para vermos Kaijus e Jaegers em toda a sua glória.

Uma das coisas que me deixaram mais encantada no filme, foi o worldbuilding incrível em relação aos Kaijus. Toda uma cultura e economia que gira em torno dos monstrengos nos é apresentada. Mercado negro, seitas religiosas, órgãos usados para fins medicinais. O tamanho do mundo criado por Del Toro é imenso e as possibilidades infinitas. Gostaria muito de ver esse universo em outras mídias, talvez livros e HQs. Há um ótimo material ali.

No fim, Pacific Rim cumpre bem sua função. É um filme pipoca no seu melhor e, em meio aos seus embates colossais, nos devolve aquele fascínio infantil que tanto atiça a imaginação.

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